Rio vermelho

Setembro 23, 2007

“E hoje andei.. andei..
larguei o carro em casa e fui cedo, de onibus, para o Rio Vermelho.
sentei no Largo da Mariquita, lugar que frequentei intensamente por 3 bons anos..

anos bons.. de lembranças.. andadas ao Mc Donalds, caxassas nos becos, sarapatels no Mercado do Peixe, mulheres no Buracão.

como é bom andar, pensar e sentir o Rio Vermelho.. as formas.. as cores.. o cheiro.. as pessoas.. o inacabado verde..

10 minutos foram suficientes para uma vida que passava em minha mente..

tava tão concentrado comigo mesmo que não vi uma moça, aparentava seus 40 anos, sentar ao meu lado.
ela me observava.. eu ficava com vergonha… até que ela começou a falar..
se apresentou.. e começamos a conversar sobre como o Red River marca quem por ali vive…

a boemia.. o afago dos artistas.. o beco dos poetas.. o lugar dos imperfeitos.
ela era moradora de 3 decadas.. agora mora na Paralela.. mas diz que sempre volta a ‘casa’.

depois boas risadas, varios sorrisos, eu me levanto.. digo que tenho ir a reunião do CMI ali no mesmo no Rio Vermelho..

ela se levanta.. agradece a minha companhia.. segura a minha mão.. e diz:

- Você é um lider, ainda um grande menino.. de tanto coração. Mas isso.. o torna solitario, descontente e irritado. Tira tudo que tá aqui dentro e joga pra iemanjá. No teatro da sua vida, seja o protagonista.
e sorri com os fechados..

agradeço as palavras.. e saio pensando nisso.. o quanto me marcou.. o tão pouco que disse.. se transformou no meu dia..

fechei os olhos, entrei na reunião.. e não lembrei de mais nada.”

só espero que isso não tenha sido mais uma obra da minha ficção.

Leave a Reply