Noite Estérica.
Janeiro 18, 2008
- hm..
- hm..
- Não sei, esperava mais de você.
- É, eu também esperava.
- E porque isso?
- Não sei. Sinto que meu corpo anda preso em alguma estação. É como se tivessem levado a sua alma para algum lugar.
- Então você não sente nem um pingo de tesão por mim?
- Não, não é isso.
- Então você só fez as suas obrigações de homem ao me foder aqui nesse sofá?
- Relaxe.
- Relaxe uma porra!
E ficou estérica pelo resto da noite.
resalitlum
Novembro 13, 2007
de todo momento;
o tempo;
diagrama complexo;
novo, sem nexo;
caminho a cozinha;
o olho torto;
no bar vazio;
frio;
de tantas ventanias;
apenas o saco lacrado;
malote irreversivel;
sumiu.
posição
Novembro 12, 2007
digamos que eu esteja hoje em uma
Hermenêutica Sacana
tenho que voltar a escrever.. mas as condições climáticas não deixam.
O ser humano mutável
Outubro 17, 2007
Hoje acordei com uma crença: O ser humano deve ser mutável. Talvez essa seja a explicação pela instigante busca pelo ser.
Eu acredito que todos nós somos mutáveis, mudar é inevitável. Poreé, nem todas as mudanças são para melhor, mas deve, ao menos, valer a pena. Não somos maquinas, portanto, não aprendemos a deletar na hora. Planejamos outras linguagens, configuramos formas de ser, executamos. Apontamos o dedo, renuciamos a critica, desprezamos o conforto e abalamo-nos com voz. Me recuso a acreditar na hipocrisia do sentimento humano porque ele é egocentrico. Faz parte do corpo mas não é nosso. Tentar entender essa bomba é pensar que somos tolos. Do bar fedorento.. a lição. Da conversa do sofá.. a gargalhada. Na lembrança.. o passo desconcertado. A folha cai, o vento sopra e a luz apaga. Apenas sei que uma fração de segundo é tempo suficiente para o acaso.
Divagações #2
Outubro 14, 2007
Em pleno domingo.. preciso registrar um momento de agústia. Em meio a diversas conversas e divagações.. cheguei a conclusão que definitivamente… eu não sofro, eu escrevo!
Presente de feriado..
Outubro 12, 2007
Hoje eu estava trabalhando em pleno feriado. Em casa, de cueca, com som alto, meio a escuridão permanente dentro do quarto. Não estava concentrado é claro… ninguém trabalha 100% focado no feriado. O toque do telefone soou e era ela. Incrível com ela liga sempre nos momentos que nunca espero. O timbre da sua voz me tirou totalmente da minha realidade. Aquelas poucas palavras queriam dizer algo que não disse. Aquela alegria estranha, a cada sussurro um sorrisinho faceiro. Eu permaneci duro, quieto, como se meu coração não estivesse pulsando forte. A vontade que tinha era largar tudo.. abandonar qualquer tipo de trabalho e correr para a sua casa ao encontro do seu corpo, do seu toque, do seu olhar tão de perto. Não me permitir. Estava chateado com ela… e ela parecia não saber disso. Decidi em alguns segundos que ficaria em casa, agora, fingindo pra mim mesmo que estaria trabalhando. Eu sabia que iria me arrepender.. e que eu realmente tinha que conferir o que aquela alegria incomum queria dizer.
Hoje, eu juro que trocava tudo por aquele sorriso, àquela carinha de sem graça e aquele carinho que só ela sabe fazer. Ela não vai ligar de novo e eu sei bem disso.
A colmeia.. o cupido.
Outubro 11, 2007
Ele andou porque tinha que caminhar;
Bebeu porque tinha que beber;
Fez planos porque era inseguro;
Tudo isso pensando em voltar.
Voltou porque tinha que sentir;
Caiu porque tinha que cair;
Aprendeu a caminhar torto;
Ficou nú porque começou a chover.
Pegou a abelha pelo acaso;
Pixou o muro precisando andar;
Desejou até deitar;
Dormiu tentando lembrar.
Acordou achando tudo embaçado;
Tentou criticar o universo;
Percebeu que a realidade já era um circo;
Resolveu viajar.
Viajou porque precisava ficar;
Ligou porque queria ficar a sós;
Respirou porque queria sufocar;
E escreveu porque precisava de uma parodia de si mesmo.
Escarnecer
Outubro 5, 2007
A manhã chega a uma terra que nunca vi antes
Revelando uma vida que nunca esquecerei de verdade
Estranho, o modo como a beleza pode ferir um olho não aberto
Sou o grito que quer sair
E meu coração não poderia esfriar o meu amor
Ouça essa voz, veja esse homem parado em sua frente
Sou apenas uma criança presa num corpo
As horas e os dias da vida
Não necessariamente o tornam mais velho
Para dizer que ama
Ouça essa voz, veja esse homem
Diante de você, sou apenas uma criança
Apenas um homem aprendendo a ceder
Era uma vez..
Outubro 4, 2007
Era uma vez um sentimento estranho. Daqueles que eu nunca tinha conhecido.
Por muitas vezes eu experimentei a sensação de perda. Mas a distância e o amor eram responsáveis por isso.
Hoje não. Hoje dói mais, muito mais.
Depois de mais de duas decadas de vida, de tantas sensações, emoções e gritos.. eu sinto pela primeira vez a perda fatal de um ente querido.
Ele se foi esta tarde movido pelo cancer que o já atrapalhava a um bom tempo.
Se foi querendo ficar.. querendo dizer ainda mais os seus jargões, as suas firulas, as suas taradices, a sua grande risada. Se foi olhando pra cima e perguntando porque estava indo. Se foi falando a deus que não queria dizer adeus. Se foi dizendo que viria comer o tradicional figado aqui em casa no Natal.
Hoje eu também vou. Hoje não quero estar em mim.
A sensação de que só irei vê-lo em outro mundo é assustadora.
Eu não sei reagir a isso.. esse papo todo é um tanto assustador.
Hoje o corpo adormece.
Verbo inexistente
Outubro 2, 2007
eu voei até onde podia
nos braços nos amassos
até onde eu ia
fiz tentando escrever
podendo esquecer
até quanto podia
se existe agua..
existe cor..
se existe vida..
existe amor
Não há certeza..
de que tudo apenas foi..
Porque se um lado é poesia.
O outro é só saudade.
agora sou apenas agua..
em um copo d’agua..
objeto indireto meio indisposto
com predicado adverbio sem razão